A história por detrás dos “Talentos”

Quando eu era criança, vivia observando o que me rodeava, procurando significados nessa observação. Não sendo irrequieta no sentido mais amplo do termo, era exteriormente contemplativa, sendo interiormente muito irrequieta.

Por ter crescido com poucos afectos, buscava fora de mim a protecção de que necessitava. Na minha óptica infantil, não tinha consciência do que fazia, e não sabendo o que procurava, queria encontrar sentido existencial a partir das conclusões que tirava das minhas observações.

Isto acompanhou-me grande parte do meu crescimento, até próximo da idade adulta, uma busca e necessidade constantes em conhecer, classificar, compreender. Mais tarde compreendi que esperava que o exterior me definisse, através de uma espécie de simbiose com a minha imaginação, na qual habitavam desejos de harmonia e serenidade.

Foram precisas experiências de adulta, e a coragem de me ver a mim mesma, para encontrar dentro de mim os meios e recursos que constroem a minha individualidade.

Os últimos dez anos, através do meu trabalho como orientadora, mentora, terapeuta, autora, oradora e investigadora, mostraram-me que a maioria das pessoas espera que a sua vida tenha significado, a partir do que acontece ao seu redor, e tem medo de acreditar que possa ser diferente, pois essencialmente tem medo de fracassar.

Mas há muito tempo que eu aprendi que não é assim que alguém se encontra a si mesmo.

O fracasso faz parte da vida, e é uma parte significativa do nosso crescimento e da nossa afirmação.

Os talentos que habitam em nós devem despertar, através de estímulos que nos fortaleçam a evidenciá-los. E na maioria das vezes, é através do fracasso que nos atrevemos a mostrar o melhor que há em nós.

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