Manifesto de Paz

Em 1 de Janeiro deste ano 2018 recebi um presente que tinha como título “true love has no ending” (o verdadeiro amor não tem fim).

Em 2004 fundei um projecto profissional, que até hoje mantém a sua missão, e cuja assinatura se baseia no princípio de que “people are perfect” (as pessoas são perfeitas).

Não sou utópica, mas sou dotada de uma racionalidade qb (que baste), que me ajuda a compreender e aceitar a dualidade humana, o lado sombra e o lado luz, sem nunca perder de vista que escolho o lado luz.

É por isso que me considero uma activista da Paz.

Sem Paz não há progresso, há estagnação.

Sem Paz não há alegria, há raiva e medo.

Sem Paz não há sucesso, mas uma constante perda.

Sem Paz não há Amor, porque o coração está tenso e fechado.

Diariamente recebo vários emails de meios de comunicação social, que me trazem as notícias, maioritariamente “más” do mundo. Leio os títulos e alguns conteúdos. Sei o que se passa pelo mundo, mas não quero mergulhar nesse drama. Em vez disso, mantenho-me no papel de activista de Paz, neste caso da minha.

Esta Paz de que falo aqui, é a Paz interior, a única de que precisamos enquanto seres humanos, a única que permite que haja Paz no mundo.

É também a mais difícil de alcançar. Porque para estar em Paz , terá de abdicar de algumas coisas, em especial o ego, e emoções de medo, insatisfação, raiva, mágoa e outras, e desenvolver compaixão, tolerância, autenticidade, benevolência, aceitação, cooperação.

6 pilares da Paz interior, que transformam definitivamente o modo como vive e se relaciona, e por consequência, o que recebe em troca.

True love has no ending, é verdadeiro, porque o Amor reside na parte humana não visível e imaterial, sendo o sentimento que cura poderosamente qualquer sofrimento, por mais profundo que ele seja.

People are perfect, porque em cada pessoa há uma perfeição infinita, que deriva do Amor, e tem permitido que a humanidade se desenvolva até ao nível em que nos encontramos, e a caminho de um futuro ao nosso alcance, sem limites na nossa criatividade.

Mas, com esta perfeição, de luz, convive a oura, mais sombria, a do ego, sempre à espreita, com medo de perder ou de ser esquecida.

Na individualidade de cada ser, cabe fazer a escolha de que lado está. Uma escolha aberta diariamente, pois cada novo dia é uma tela à espera de ser pintada. Atenção, porque facilmente pode resvalar para o lado que não quer, sem sequer dar por isso. É o piloto automático a funcionar.

Os acontecimentos de ontem, 15 de Maio, relacionados com o futebol, assim como os dramas sociais que abundam pelo mundo, gritam à nossa volta, mostrando-nos o que não queremos. E o que fazemos com isso?

Quando e como vamos assumir e agir na direcção do que queremos, sem debater à exaustão o que não queremos? O gatilho dessa mudança de perspectiva é a Paz interior. Sem ela, estaremos sempre em tensão, em conflito e medo, insistindo em pôr o foco no que nos perturba e assusta, e não conseguimos ver a transformação.

A Paz interior é perfeita. É um estado tão perfeito, que podemos mexer-nos confortavelmente, mesmo quando estamos dentro de um poço de alcatrão.

Tenho o privilégio de privar com alguém que há 20 anos percorre o mundo, em acções humanitárias em campos de guerra, com o objectivo de reduzir o sofrimento humano. Já chorámos em conjunto, quando me conta o que verdadeiramente se passa por trás desse sofrimento, e já rimos em conjunto, quando fico a par de como é fácil transformar o drama em boas soluções, quando essa vontade é mais forte do que qualquer conflito.

Vamos continuar a iludir-nos ou vamos agir em conjunto para mudar o mundo, começando pelo nosso estado interior?

Quantas horas de debate e quantas linhas vão ser escritas nos próximos dias, para falar do drama do futebol? Quantos likes, comentários e partilhas nas redes sociais?

E quanto à Paz? Paz interior, porque é sempre dessa que falo, escrevo e promovo.

Quantos vão usar uns minutos da sua vida para ler estas linhas? E partilhá-las? E comentar de forma construtiva, de modo a contribuir para a difusão desta necessidade premente?

Nenhuma destas provocações é uma crítica, até porque a Paz interior, tal como a Felicidade nunca está definitivamente conquistada. É um work in progress, que nos conquista diariamente, dando-nos motivação, inspiração e coragem para sermos a nossa melhor versão de Paz, independentemente do que acontece ao nosso redor.

Estar em Paz interior, não é ignorar o que se passa. Ao contrário, é estar tão consciente, que só assim pode escolher desenvolver e consolidar a sua Paz, através do valor que descobre nela, para estar bem consigo, com a vida e com os outros!

Ser activista da Paz, é colocar a Paz interior como um princípio de alavancagem e comprometimento pessoal perante si mesmo e todas as suas formas de expressão, e agir de acordo com isso.

Este princípio está na base da minha vida, e presente em todos os quadrantes da minha proposta profissional, e a Felicidade que isso me traz é visível em tudo.

Hoje e sempre, que a Paz interior seja a sua melhor companhia!

 

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